Transtorno opositor desafiador: o que é e como identificar

fevereiro 2024

Leitura: 15 min.

O transtorno opositor desafiador é um tipo de distúrbio caracterizado por um comportamento desafiador e impulsivo cujos sintomas surgem na infância e na adolescência.

Esse transtorno tende a representar um desafio tanto para pais quanto para os profissionais, pois é preciso diferenciar o transtorno de birras que são comuns nessa fase do desenvolvimento.

Por isso, é importante conhecer mais características sobre o Transtorno Opositor Desafiador para entender quando é necessário buscar auxílio profissional.

Foi pensando nisso que elaboramos esse conteúdo para que você possa eliminar todas as suas dúvidas. 

O que é transtorno opositor desafiador?

O transtorno opositor desafiador (TOD) é um tipo de distúrbio que é caracterizado por um padrão persistente de comportamento opositivo e desafiador.

Geralmente afeta crianças e adolescentes, que direcionam esse comportamento a uma figura de autoridade, podendo ser os pais ou professores.

Durante esses episódios é comum perceber que a criança, ou adolescente, apresenta empatia com quem está sofrendo ataque e até mesmo dá sinais de remorso.

Que é um dos sinais que pode ajudar a diferenciar o Transtorno Opositor Desafiador de um transtorno de Conduta.

Normalmente, esse tipo de transtorno afeta negativamente as relações interpessoais das crianças.

E dificulta os relacionamentos seja em casa, com a família e na escola, com professores e colegas de classe.  

Sintomas do transtorno opositor desafiador

O transtorno opositor desafiador sintomas muitas vezes são confundidos com birras, malcriação ou até mesmo teste de limites.

Geralmente surgem por volta dos 8 anos de idade, mas podem ser identificados em crianças mais velhas e também em adolescentes. 

Os sintomas e o comportamento desafiador tendem a aparecer inicialmente no ambiente familiar, e posteriormente podem evoluir para ambientes escolares. Dentre os mais comuns podemos citar:

  • Ansiedade
  • Irritabilidade
  • Teimosia
  • Comportamento agressivo
  • Comportamento impulsivo
  • Provocar e desafiar adultos
  • Agitação
  • Desafiar regras
  • Dificuldade em controlar as emoções
  • Frustração ao ser repreendido
  • Ter reação de choro, birra ou agressividade
  • Importunar outras pessoas deliberadamente
  • Culpar terceiros por seus próprios erros
  • Ficar com raiva, ressentido e ser facilmente perturbado

Quando é observado um padrão é persistente e recorrente nesses sintomas que compromete o desenvolvimento emocional, social ou acadêmico da criança é possível levantar suspeita de Transtorno Opositor Desafiador. 

O que causa o Transtorno opositor desafiador?

As causas exatas do transtorno opositor desafiador não são completamente desconhecidas pela ciência.

Entretanto, os pesquisadores percebem que há uma relação entre a família e o TOD, bem como o ambiente em que a criança está se desenvolvendo.

Podemos citar alguns dos fatores de risco para desenvolvimento do Transtorno Opositor Desafiador, como:

  • Vivência em lares hostis
  • Negligência por parte dos responsáveis
  • Depressão pré-existente
  • Ansiedade
  • TDAH
  • Orientações divergentes por parte dos pais
  • Violência e abuso sexual

Ou seja, além da pré-existência de outras condições que também afetam psicológico da criança, quanto mais conturbado for o ambiente familiar, maiores são os prejuízos.

Por isso, é fundamental que os pais tenham uma comunicação não-violenta com os filhos e se baseiem em uma criação de respeito e apoio.

Diagnóstico do Transtorno Opositor Desafiador

Ao identificar os sintomas ou suspeitar de TOD, é imprescindível buscar um profissional dda área de neurologia infantil, psiquiatra ou psicólogo clínico.

O diagnóstico será realizado através de uma avaliação clínica que levará em consideração os sintomas e também o comportamento da criança.

Os sintomas de Transtorno Opositor Desafiador devem estar presentes por, no mínimo, seis meses e afetam o desenvolvimento da criança.

Para essa avaliação, os médicos poderão avaliar as características de transtorno opositor desafiador, como:

  • Desafio à autoridade;
  • Comportamento de oposição persistente e frequente;
  • Comportamento vingativo;
  • Irritabilidade 

Além disso, também poderá fazer parte do diagnóstico a realização de entrevistas com a criança, pais e professores a fim de compreender o comportamento da criança ou do adolescente. 

Dentro do diagnóstico, ainda é preciso diferenciar o transtorno opositor desafiador de outras condições e também dos comportamentos comuns da infância. 

Tanto o transtorno opositor desafiador quanto o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, podem ter sintomas similares, pois isso é importante que o profissional esteja apto a diferenciá-los.

Crianças com TDAH também podem desenvolver transtorno opositor desafiador, e os sintomas ficam menos intensos quando o TDAH é tratado.  

Também entraram na avaliação a identificação de outros distúrbios como depressão, tais como perturbações do sono ou do apetite, ou ansiedade.

Tratamentos para transtorno opositor desafiador

O tratamento para o transtorno opositor desafiador pode combinar terapia comportamental, terapia familiar e também o uso de medicamentos específicos.

Terapia 

A psicoterapia é um dos tratamentos fundamentais para ajudar as crianças e adolescentes que sejam diagnosticadas com transtorno opositivo desafiador.

Através do uso da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é possível ressignificar os comportamentos negativos da criança e que possuem uma influência no seu desenvolvimento. 

O objetivo dessa terapia é estimular o autoconhecimento, autocontrole e também trabalhar a mudança da da visão de mundo e os acontecimentos para que a criança consiga lidar com o sentimento de frustração.

Desse modo, a criança poderá desenvolver habilidades necessárias para lidar com seus comportamentos desafiadores e melhorar a comunicação e resolução de problemas.

Remédios

O uso de medicamentos para tratar o transtorno opositor desafiador está restrito a casos em que os sintomas de transtorno TOD são muito intensos, como a impulsividade, agressividade e irritabilidade.

Também pode ser recomendável o uso de medicamentos quando o TOD está associado a outros tipos de transtorno.

Desse modo, busca-se melhorar a qualidade de vida da criança através do uso de medicamentos. 

Terapia familiar

Tanto em casa, quanto no ambiente escolar, é muito importante que a criança encontre apoio e compreensão.

Desse modo, é fundamental que a família em conjunto com os professores busquem fazer uso de uma educação mais sensível e compreensiva.

Por isso, o acompanhamento terapêutico para que a família saiba como lidar com as circunstâncias e também possa traçar estratégias pedagógicas em conjunto com a escola. 

Criança fazendo birra
Imagem de Freepik

Como lidar com transtorno opositor desafiador

Lidar com o transtorno opositor desafiador pode ser uma tarefa difícil para alguns pais, por isso, além de procurar auxílio profissional para iniciar um tratamento adequado, é possível seguir estratégias que podem tornar o convívio mais fácil.

Conheça algumas estratégias para lidar com o transtorno opositor desafiador:

Mantenha a estabilidade em casa

Como já mencionado anteriormente, brigas e um ambiente familiar hostil podem estar relacionados com o aparecimento do TOD.

Por isso, uma das formas de lidar com isso é trazer a criança para um ambiente mais estável onde ela se sinta acolhida.

Pais e responsáveis devem evitar brigas, xingamentos, comunicação violenta e até mesmo agressão.

É importante que os pais entrem em um consenso com relação a educação da criança, pois essas atitudes podem atrapalhar o processo terapêutico e a saúde mental da criança. 

Seja paciente

Além de um ambiente estável, é fundamental também ter comportamentos exemplares para a criança. 

Esse processo ajuda na educação e demonstra como ela deve agir em diferentes situações, portanto priorize uma comunicação não-violenta.

Se a situação sair do controle, não haja de maneira agressiva seja paciente e mantenha o controle da situação, converse com o terapeuta sempre que sentir a necessidade.

Estabeleça limites

Uma comunicação clara para estabelecer os limites é importante para que a criança entenda que o ambiente que ela vive possui regras e ela deve seguir as ordens.

Portanto, mantenha uma postura firme e respeitosa, ao explicar as regras para criança seja objetivo e busque reforçar positivamente sempre que a criança apresentar um comportamento positivo.

Evite confrontos desnecessários com a criança, caso ela ultrapasse os limites estabelecidos  buscando resolver a situação com uma abordagem mais tranquila. 

Reforce os comportamentos positivos

Dialogar com a criança é fundamental para que ela possa ter uma maior compreensão se a sua atitude foi certa ou errada.

Evite conversar quando o seu filho estiver nervoso, ou em momentos de crise, opte por conversar quando ele estiver mais calmo.

Deixe claro quando ele fizer algo que está fora do combinado, e reforce principalmente quando o seu comportamento atingir as expectativas.

É importante que ele se sinta acolhido, amado e especial facilitando o tratamento do transtorno opositor desafiador.

Incentive a criança a praticar atividade física

Esportes são benéficos para a saúde física e mental, além disso, exigem disciplina e responsabilidade que podem ser importantes para que a criança aprenda a seguir regras.

É importante para o tratamento e desenvolvimento da criança incentivar a  pratica esportes para que ela possa aprender a desenvolver essas habilidades.

Artes marciais, ginástica, balé ou tênis são exemplos de esportes que requerem disciplina.

Agora você já sabe o que é transtorno opositor desafiador

Através desse conteúdo buscamos apresentar o que é transtorno opositor desafiador e quais são as suas principais características. 

Agora você já sabe que o diagnóstico e a terapia são fundamentais para melhorar a qualidade de vida do seu filho, seja ele criança ou adolescente.

Portanto, não negligencie o seu comportamento e tente ser compreensível, pois a estabilidade do lar é fundamental para que haja uma melhora no comportamento da criança.

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